Falar sobre saúde mental no trabalho já não é mais um assunto distante da rotina das empresas. Cada vez mais, esse tema aparece nas conversas sobre gestão, liderança, produtividade e cuidado com as pessoas.

Com a atualização da NR-01, os riscos psicossociais ganharam ainda mais importância. A norma chama atenção para algo essencial: a forma como o trabalho é organizado também pode impactar a saúde dos colaboradores.

Esse foi o tema de um encontro online promovido pela ABMI, que reuniu profissionais do mercado imobiliário para discutir os impactos da NR-01 e os cuidados que as empresas precisam ter daqui para frente.

A Fuhro Souto participou desse momento com a presença da nossa Gestora de Pessoas e Cultura, Nadine Lemons Ferreira. A participação reforça um movimento importante dentro da empresa: acompanhar as mudanças do setor e buscar práticas cada vez mais responsáveis na gestão de pessoas.

No mercado imobiliário, esse assunto faz muito sentido. A rotina de uma imobiliária é intensa. Todos os dias, as equipes lidam com atendimento ao público, negociações, prazos, cobranças, conflitos, demandas urgentes e muitas decisões importantes.

Por isso, falar sobre riscos psicossociais não é falar apenas sobre uma obrigação legal. É falar sobre como construir ambientes de trabalho mais saudáveis, organizados e sustentáveis.

O que são riscos psicossociais?

Riscos psicossociais são situações ligadas à forma como o trabalho acontece e que podem afetar a saúde mental, física e emocional das pessoas.

Eles podem aparecer de várias formas no dia a dia, como:

  • excesso de demandas;
  • pressão constante por resultados;
  • falhas de comunicação;
  • falta de apoio da liderança;
  • conflitos recorrentes;
  • assédio moral ou sexual;
  • jornadas muito desgastantes;
  • pouca clareza sobre responsabilidades;
  • falta de reconhecimento;
  • insegurança no ambiente de trabalho.

Na prática, a empresa precisa observar se a rotina, os processos e a forma de gestão estão contribuindo para o bem-estar das equipes ou se estão gerando desgaste, afastamentos, conflitos e perda de produtividade.

O que muda com a NR-01?

A NR-01 trata das diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Com a atualização, os riscos psicossociais passam a fazer parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

Isso significa que as empresas precisam identificar, avaliar e prevenir fatores que possam causar adoecimento no ambiente de trabalho.

Esses fatores podem estar ligados à sobrecarga, ao estresse, à falta de clareza nas demandas, à pressão excessiva, a conflitos internos ou a falhas na organização das atividades.

O ponto principal é que esse cuidado precisa fazer parte da gestão da empresa. Não pode ser apenas uma ação isolada ou uma campanha pontual.

É preciso olhar para a rotina, revisar práticas, registrar ações e acompanhar os resultados ao longo do tempo.

Por que esse tema é importante para imobiliárias?

Quem trabalha no mercado imobiliário sabe que a rotina é dinâmica e, muitas vezes, desafiadora.

Na área de locação, por exemplo, há contato direto com clientes em momentos de mudança, decisão, negociação, manutenção e cobrança.

Na administração de condomínios, as equipes lidam com síndicos, moradores, assembleias, inadimplência, conflitos e situações urgentes.

Já nas áreas comerciais, há metas, acompanhamento de clientes, negociações e pressão por resultados.

Tudo isso faz parte da operação. Mas, quando não há processos claros, comunicação eficiente e apoio das lideranças, essa rotina pode gerar desgaste.

Por isso, a NR-01 também deve ser vista como uma oportunidade para as imobiliárias melhorarem seus fluxos internos, prepararem melhor suas lideranças e fortalecerem a cultura organizacional.

Esse cuidado não é responsabilidade apenas do RH

Um dos pontos mais importantes desse debate é entender que os riscos psicossociais não são uma pauta exclusiva da área de Pessoas e Cultura.

O RH tem um papel fundamental, claro. Ele ajuda a orientar, acompanhar, criar políticas e apoiar as lideranças.

Mas a prevenção depende de toda a empresa.

Diretores, gestores, líderes e equipes precisam estar envolvidos. Afinal, muitos fatores de risco nascem justamente na rotina: na forma como as demandas são distribuídas, na clareza das prioridades, na comunicação entre áreas e na maneira como os resultados são cobrados.

A participação da nossa Gestora de Pessoas e Cultura no encontro da ABMI reforça esse olhar. Cuidar das pessoas também passa por cuidar da forma como o trabalho é conduzido todos os dias.

O que as imobiliárias podem fazer na prática?

O primeiro passo é começar a olhar para o tema com seriedade e não deixar a adequação para depois.

Algumas ações já podem fazer diferença:

1. Mapear os pontos de atenção da rotina

A empresa precisa entender quais áreas estão mais expostas a pressão, sobrecarga, conflitos ou desgaste emocional.

Isso pode envolver setores como atendimento, cobrança, manutenção, vistoria, condomínios, comercial, financeiro, jurídico, captação e relacionamento com clientes.

O objetivo não é encontrar culpados. É entender onde a rotina precisa ser melhor organizada.

2. Ouvir as equipes

Escutar os colaboradores é essencial para identificar sinais de alerta.

Pesquisas internas, conversas estruturadas, reuniões com lideranças e canais de comunicação podem ajudar nesse processo.

Mas essa escuta precisa ser feita com responsabilidade, respeito e foco em melhorias reais.

3. Preparar as lideranças

A liderança tem papel direto na prevenção dos riscos psicossociais.

Um líder despreparado pode aumentar conflitos, gerar insegurança e tornar a rotina mais pesada.

Por outro lado, uma liderança bem preparada ajuda a organizar prioridades, orientar a equipe, reduzir ruídos e criar um ambiente mais seguro.

Por isso, investir no desenvolvimento de líderes é uma medida importante para qualquer empresa.

4. Rever processos internos

Muitas vezes, o desgaste não está ligado a uma pessoa específica, mas a um processo mal estruturado.

Demandas sem responsável definido, fluxos confusos, excesso de urgências, comunicação falha e falta de padrão podem tornar a rotina mais cansativa do que deveria.

Revisar processos é uma forma prática de reduzir riscos e melhorar o dia a dia das equipes.

5. Registrar as ações realizadas

Além de agir, a empresa precisa documentar o que está fazendo.

Isso inclui treinamentos, políticas internas, planos de ação, avaliações de risco, reuniões, canais de comunicação e medidas preventivas.

Esses registros mostram que a empresa está acompanhando o tema de forma responsável.

6. Tratar saúde mental como parte da gestão

Cuidar da saúde mental no trabalho não significa deixar de cobrar resultados.

Significa criar condições para que as pessoas consigam trabalhar com mais clareza, equilíbrio e segurança.

Quando a empresa organiza melhor sua rotina, prepara suas lideranças e melhora a comunicação interna, todos ganham: colaboradores, clientes e o próprio negócio.

O que pode acontecer quando a empresa não olha para isso?

Ignorar os riscos psicossociais pode trazer consequências importantes, como:

  • aumento de afastamentos;
  • queda na produtividade;
  • conflitos internos;
  • piora no atendimento ao cliente;
  • maior rotatividade;
  • perda de talentos;
  • riscos trabalhistas;
  • prejuízos à imagem da empresa;
  • fragilidade em fiscalizações.

No setor imobiliário, onde confiança, reputação e relacionamento são fundamentais, esses impactos podem ser ainda mais sensíveis.

Uma mudança que vai além da norma

A atualização da NR-01 reforça uma mudança de mentalidade.

As empresas não podem tratar saúde mental apenas quando o problema já apareceu. O caminho precisa ser preventivo.

Isso exige escuta, maturidade, organização e compromisso das lideranças.

Ambientes de trabalho mais saudáveis não são construídos apenas com benefícios ou ações pontuais. Eles dependem de processos bem definidos, comunicação clara, relações equilibradas e lideranças preparadas para conduzir pessoas.

Conclusão

A participação da Fuhro Souto no encontro online da ABMI sobre NR-01 e riscos psicossociais reforça a importância de acompanhar os movimentos do mercado e buscar uma gestão cada vez mais consciente.

Para as imobiliárias, esse tema é um alerta, mas também uma oportunidade.

Olhar para os riscos psicossociais é cuidar das pessoas, da operação e do futuro do negócio.

Mais do que cumprir uma norma, é uma forma de revisar práticas, fortalecer lideranças, melhorar processos e construir um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e humano.

Na Fuhro Souto, seguimos atentos às mudanças do setor e comprometidos com uma cultura organizacional baseada em responsabilidade, prevenção e cuidado com as pessoas.

Fuhro Souto, sempre contigo.

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